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A importância dos nomes dos espíritos, entidades, anjos e demônios na invocação ou evocação

Embora hoje sejam menos conhecidos, os grimórios e os manuais de invocação foram bastante populares nos séculos XVII e XVIII. Além de instruções detalhadas sobre como se preparar para a operação mágica, eles traziam informações sobre espíritos, entidades, anjos e demônios que poderiam ser convocados diante do operador.

No caso do mais famoso de todos, a Clavícula de Salomão, a seção dedicada à Goetia traz o nome, o título de nobreza e o número de legiões sob o comando de cada um dos 72 demônios. Não se trata de uma exclusividade. Quando discutia as inteligências planetárias, Agrippa também dedica páginas com esse tipo de informação: nomes, hora e dia de semana preferencial para realizar a operação, número de subalternos, etc.

O grande problema, tirando os casos em que um livro copiava descaradamente as instruções do outro, é quão comum era que os nomes simplesmente não fossem os mesmos! Se os sete arcanjos em um livro são Gabriel, Uriel, Remiel, Michael, Raphael, Raguel e Sariel [correspondendo à ordem caldeica dos planeta], outro substitui Remiel por Phanuel no governo de Vênus e Sariel por Zadkiel na esfera de Saturno. Um terceiro livro mantém Remiel, mas troca Raguel por Camael. Um quarto livro mantém a ordem original, exceto que Jophiel é incluído na lista e Remiel, dispensado. E assim em diante. E agora, que nomes você usa para chamá-los?

Helena Petrovna Blavatsky

Helena Petrovna Blavatsky

Helena Petrovna Blavatsky nasceu em 12 de agosto de 1831, na cidade de Yekaterinoslav, então parte do Império Russo, hoje território da Ucrânia. Sua mãe, Helena Andreyevna von Hahn, era filha da Princesa Yelena Pavolvna Dolgorukova, enquanto seu pai, Pyotr Alexeyevich von Hahn, era um capitão da Artilharia Montada Real Russa.

Em junho de 1842, após a morte de sua mãe, Blavatsky foi morar com seus avós maternos em Saratov, onde foi educada em francês, artes e música. Como seus avós passavam as férias no acampamento de verão calmuque, ela aprendeu a cavalgar e a falar um pouco de tibetano. No final de sua vida, Blavatsky afirmava que lá ela encontrara a biblioteca pessoal de seu bisavô materno, o Príncipe Pavel Vasilevich Dolgorukov, que havia sido iniciado no Rito da Estrita Observância da Francomaçonaria na década de 1770 e teria conhecido tanto Alessandro Cagliostro quanto o Conde de St. Germain.

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Fernando António Nogueira Pessoa nasceu em 13 de junho de 1888, no dia de Santo António de Lisboa, cujo nome de batismo era Fernando, sendo esta a origem de seu nome. Seu pai, o funcionário público Joaquim de Seabra Pessoa, faleceu quando Fernando tinha 5 anos. Seu irmão Jorge morreria no início de 1894, antes do primeiro aniversário.

Tendo sua mãe, Maria Magdalena Pinheiro Nogueira Pessoa, se casado com o comandante João Miguel Rosa, a família se mudou em 1896 para Durban, África do Sul, onde Fernando é educado na literatura inglesa e demonstra especial habilidade na escrita em prosa e em verso.

Sua obra poética é conhecida por seus numerosos pseudônimos, heterônimos e semi-heterônimos. Em um levantamento de 1966, Lopez elencou 18 nomes. Ao longo das décadas, esta contagem se ampliou para 21, 72, 83, chegando a 123 nomes segundo os amplos critérios de Cavalcanti Filho.

Dentre todos os nomes, diferencia-se o trabalho de Fernando Pessoa assinado com seu próprio nome como “ortônimo”, uma obra profundamente influenciada por doutrinas religiosas e pelas sociedades secretas. Em 1916, Fernando traduziu A Voz do Silêncio, de Helena Petrovna Blavatsky. Pouco depois, traduziu o poema Hino a Pã, do ocultista inglês Aleister Crowley.

A hierarquia do Inferno, segundo Wierus

A hierarquia do Inferno, segundo Wierus

Quando Arthur Edward Waite escreveu As Ciências Ocultas, seu objetivo declarado era fazer um apanhado do que se conhecia sobre diversas disciplinas. Assim, os iniciantes poderiam ter uma noção geral do que fazer e do que estudar. Para isso, Waite revisitou diversos livros antigos, dos séculos XIV, XV, XVI, XVII, XVIII e XIX, incluindo manuscritos e edições raras.

A quarta seção de sua Parte I se chama “Magia Negra: a Evocação de Demônios”. Waite explica que os demonologistas medievais raciocinaram que, assim como os anjos e os espíritos superiores se organizam hierarquicamente, os diabos e demônios teriam um governo similar. Uma espécie de espelho retorcido, certamente muito burocrático e tirânico.

Para exemplificar, temos a oportunidade de conhecer o que Jean Wierus, discípulo de Cornelius Agrippa, escreveu sobre a hierarquia do Inferno e descobrir, por exemplo, que Satã, a serpente genuína, havia perdido o trono do Infernus e que Beelzebub assumiu seu posto. A estrutura completa, disponível em Pseudomonarchia Demonorum, obra em latim do século XVI, seria esta:

As primeiras Lojas Maçônicas

Em 24 de junho de 1717, a Grande Loja de Londres foi constituída por quatro Lojas antigas, que se reuniam na Cervejaria Ganso e Grelha, na Cervejaria Coroa, na Taverna Macieira e na Taverna Copázio e Uvas. Gould menciona, apoiado no Livro das Constituições de 1788, que uma reunião havia sido realizada na Taverna Macieira ainda em 1716, com o fim de planejar essa fundação.

Seriam essas “quatro Lojas antigas” as mais antigas existentes? Quão antigas exatamente elas eram, de onde surgiram e qual era a diferença entre elas e as Lojas pós-1717?

O Evangelho diferente – São João

O Evangelho diferente – São João

A forma atual do Novo Testamento conta com quatro Evangelhos – São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João. Os três primeiros são chamados de Evangelhos sinópticos porque contêm as mesmas histórias, contadas na mesma ordem e com palavras similares:

Jesus é batizado por São João Batista, tentado no deserto, consegue seus primeiros discípulos, é rejeitado em sua cidade natal, cura alguns doentes, reúne os Doze Apóstolos, ensina através de parábolas, acalma a tempestade, alimenta os 5000, prevê sua morte, entra montado no burrico no Domingo de Ramos, expulsa os mercadores do Templo, condena os fariseus, realiza a Última Ceia, passa pela Paixão, Crucificação, Morte e Sepultamento. O Sepulcro aparece vazio e Jesus ressuscitado instrui os discípulos a espalharem seus ensinamentos.

Esse roteiro comum, chamado de “tripla tradição”, corresponde a 76% do Evangelho segundo São Marcos, 46% do Evangelho segundo São Matheus e 41% do Evangelho segundo São Lucas! Dos 24% restantes do São Marcos, 18% são comuns a São Mateus e 3% a São Lucas, de modo que apenas 3% são únicos.

É por este motivo que se acredita que o Evangelho segundo São Marco seja o mais antigos dos três. Os autores dos Evangelhos segundo São Mateus e segundo São Lucas utilizaram esse texto como base para seus relatos – não meramente para copiar, mas para garantir a uniformidade do relato. Afinal, se você vai contar a história mais importante do mundo, é bom ter certeza de que o que você está dizendo confere com a autoridade do assunto, certo?

A origem da Grande Loja Unida da Inglaterra – GLUI

A origem da Grande Loja Unida da Inglaterra – GLUI

A Francomaçonaria moderna foi criada em 1717, quando as quatro Lojas antigas de Londres se reuniram e decidiram criar a Grande Loja, que determinaria o padrão para as cerimônias maçônicas e resolveria as dissensões internas da fraternidade. Alguns escritores afirmam que existiram Grandes Lojas antes dessa data – cita-se a Assembleia de York, por exemplo, ou os maçons canteiros da Alemanha. No entanto, não existe prova para essas afirmações e a Grande Loja de Londres permanece celebrada como a “Grande Loja Original”.

É importante observar que isso não significa que não existiam Lojas maçônicas fora dos domínios da Grande Loja! Pelo contrário, temos evidências de reuniões maçônicas desde os séculos XIII e XIV e registros de Lojas maçônicas que remontam ao final do século XVI, mais de 100 anos anteriores à reunião de 1717. Lojas na Escócia, na Irlanda e na própria Inglaterra receberam a notícia da fundação da Grande Loja de Londres e seguiram seus trabalhos, talvez sem perceber quão profundamente esse evento mudaria a Maçonaria.

No entanto, a Grande Loja de Londres não mais existe. Sua sucessora, a Grande Loja Unida da Inglaterra, foi fundada somente em 1813. Portanto, apesar de celebrarmos em 2017 os 300 anos da Maçonaria moderna, a GLUI deve aguarda ainda outros 96 anos para comemorar seu tricentenário! Por que aquela Grande Loja fundada em Londres foi substituída por este organismo mais recente? Como a GLUI aconteceu?

O Altar na Igreja e na Maçonaria

O Altar na Igreja e na Maçonaria

Como eram as igrejas dos cristãos primitivos, antes que Constantinus transformasse o Cristianismo em religião estatal? Como os primeiros cristãos, os primeiros discípulos de Jesus e dos apóstolos, celebravam sua fé? Temos igrejas dessa época, dos séculos I, II e III da nossa era?

Até o ano 250, os seguidores de Cristo abominavam templos. Conforme Blavatsky mostra em As Raízes da Ritualística na Igreja e na Maçonaria, através de uma citação do cristão primitivo Marcus Minucius Felix:

Vocês julgam que nós (cristãos) escondemos o que adoramos porque nós não aceitamos nem templos nem altares? Mas que imagem de Deus deveremos erguer, dado que o Homem é ele próprio a imagem de Deus? Que templo poderemos construir para a Divindade, quando o Universo, que é a obra d’Ele, mal pode contê-Lo? Como podemos entronizar o poder de tal Onipotência em um único prédio? Não é bem melhor consagrar à Divindade um templo em nosso coração e espírito?

O Mito Solar

O Mito Solar

Embora tenha escrito As Raízes da Ritualística na Igreja e na Maçonaria em 1889 e suas Anotações sobre o Evangelho segundo João só tenham sido publicadas em 1893, Madame Blavatsky já falava do “Mito Solar” como um assunto batido, que todos já estavam fartos de conhecer e ouvir falar, não sendo necessário bater na tecla incessantemente.

Recentemente, o Mito Solar ganhou projeção através do documentário Zeitgeist, que o utilizou como arcabouço para sua primeira parte, em que tentava demonstrar como a imagem de Jesus que temos hoje é somente uma colagem de diversos mitos e características de deuses mais antigos, vindos da Grécia, de Roma, do Egito, da Pérsia, do Iraque, da Índia, entre muitas outras nações.

No meio do século XX, tivemos Joseph Campbell, com seus excelentes O Poder do Mito e O Herói de Mil Faces, material de pesquisa obrigatória para qualquer interessado ou apaixonado pela mitologia e pelas lendas da humanidade. Mesmo assim, é um assunto sobre o qual raramente escutamos – pelo menos, não foi nas aulas de Religião do colégio que aprendemos sobre religião comparada e o Sol como emblema da vida.

Então, temos duas perguntas a responder: primeiro, por que Blavatsky fala do Mito Solar como algo de conhecimento comum se hoje só escutamos sobre este assunto se procurarmos as fontes corretas? Segundo, o que exatamente é o Mito Solar e por que ele é importante para entender a Igreja, a Maçonaria e as religiões em geral?

As Antigas Religiões de Mistério e o Cristianismo

As Antigas Religiões de Mistério e o Cristianismo

Conforme vimos anteriormente, a ritualística cristã, mais particularmente a ritualística católica, herdou vários elementos do Judaísmo – a celebração da Páscoa, por exemplo, para não falar da coletânea sagrada de livros que conhecemos como Bíblia, com seus 66 livros [ou 73 ou 75 ou 68 ou 70, dependendo de qual cânon sua denominação segue].

Alguém poderia questionar que o Cristianismo só herdou do Judaísmo os 39 livros [ou 46 ou 48 ou… vocês entenderam] do Antigo Testamento, mas o caso é que Yeshua era judeu praticante, seus ensinamentos apoiando-se nas leis e costumes judaicos. Houve, inclusive, uma grande disputa entre os cristãos primitivos no século I d.C. sobre este assunto.

São Shemayon Keppa, nosso São Pedro, defendia que aqueles que se convertessem ao Cristianismo deveriam seguir praticamente todos as regras judaicas – só comer comidas kosher, guardar o Sabbath, não tocar mulheres menstruadas, ; São Paulos, por sua vez, defendia que a Igreja deveria abrir suas portas aos gentios. O líder da Igreja Primitiva, autoridade maior em Jerusalém, era São Ya’akov, isto é, Tiago, o Justo, irmão de Yeshua, e foi ele quem presidiu o Concílio em 50 d.C. e resolveu a questão, decidindo que os gentios poderiam se converter ao Cristianismo sem obedecer às obrigações do Judaísmo.

Mesmo descartando a Lei de Moisés e aceitando somente as palavras dos Evangelhos, o Novo Testamento é baseado majoritariamente em uma visão de mundo judaica. Quer dizer, quase isso. Os judeus não tinham território independente há muitos séculos, desde a época dos Reinos do Norte e do Sul, do Rei David e do Rei Shlomo. Mesmo o período que começou com a revolta de Yehuda ha-Makabi garantiu somente um reino tributário e os dois Livros de Macabeus indicam como os judeus buscaram a aliança e a submissão dos romanos e dos gregos.

Por conta disso, o Oriente Médio como um todo passou por muitos séculos de influência grega, macedônia e romana. Quando mencionamos Pontius Pilatus, estamos falando do quinto praefectus da província romana da Judaea, um funcionário público enviado pelo imperador romano para administrar o território. Quando discutimos os governos e as ações de Herodes I, o Grande, e de seu filho, o tetrarca Herodes Antipatros da Galilea e Peraea, são governantes de origem edomita com nomes e costumes helênicos.

Como vimos anteriormente, os judeus eram semitas e seus costumes religiosos e crenças moldaram e foram moldados por todos os demais povos semitas, dos amoneus e árabes até os sumérios e os habitantes de Ur. O Cristianismo desenvolvido nos territórios romanos só poderia ter sido influenciado pela religião e pelos costumes do império, particularmente pelas Religiões de Mistério.

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