Entrar na lista de espera Deixe seu e-mail válido abaixo para que possamos avisá-lo quando o produto estiver disponível para venda.
E-mail Quantidade Não compartilharemos seu endereço com ninguém.
Helena Petrovna Blavatsky

Helena Petrovna Blavatsky

Helena Petrovna Blavatsky nasceu em 12 de agosto de 1831, na cidade de Yekaterinoslav, então parte do Império Russo, hoje território da Ucrânia. Sua mãe, Helena Andreyevna von Hahn, era filha da Princesa Yelena Pavolvna Dolgorukova, enquanto seu pai, Pyotr Alexeyevich von Hahn, era um capitão da Artilharia Montada Real Russa.

Em junho de 1842, após a morte de sua mãe, Blavatsky foi morar com seus avós maternos em Saratov, onde foi educada em francês, artes e música. Como seus avós passavam as férias no acampamento de verão calmuque, ela aprendeu a cavalgar e a falar um pouco de tibetano. No final de sua vida, Blavatsky afirmava que lá ela encontrara a biblioteca pessoal de seu bisavô materno, o Príncipe Pavel Vasilevich Dolgorukov, que havia sido iniciado no Rito da Estrita Observância da Francomaçonaria na década de 1770 e teria conhecido tanto Alessandro Cagliostro quanto o Conde de St. Germain.

Nesta época, ela teve as primeiras visões de um “misterioso indiano”. Aos 17 anos, em 1849, ela concordou em se casar com o Vice-Governador Nikifor Vladimirovich Blavatsky, que contava então com mais de 40 anos. Logo nos primeiros meses de relacionamento, ela tentou diversas vezes fugir de volta para Tiflis, até que seu marido finalmente permitiu que ela retornasse à família.

No meio do caminho, contudo, Blavatsky fugiu até um navio que a levou até Constantinopla. A partir daí, começou uma jornada de 9 anos ao redor do mundo. Do período entre 1849 e 1874 não existem registros confiáveis, a não ser o relato pessoal de Blavatsky. De Constantinopla, ela viajou para o Egito, para a Grécia e para a Europa oriental, onde conheceu um mago copta chamado Paulos Metamon. Em 1851, ela seguiu para Paris, onde encontrou com o mesmerista Victor Michal. De lá, ela visitou Londres, onde finalmente conheceu o “misterioso indiano”, um hindu a quem chamou Mestre Morya.

Da Inglaterra, ela seguiu para o Canadá, New Orleans, Texas, México e os Andes, até viajar por navio para as Índias Ocidentais, Ceilão e Bombaim. Dois anos ela passou na Índia, tendo sua entrada no Tibet barrada pelas autoridades britânicas. De volta à Europa, ela partiu para os Estados Unidos, onde visitou New York, Chicago, Salt Lake City e San Francisco, de onde voltou à Índia passando pelo Japão.

Após estadias em Kashmir, Ladakh e Burma, Blavatsky entrou no Tibet em 1856 acompanhada por um xamã tártaro. Juntos, alcançaram Leh e depois se perderam, tendo que retornar até Madras, de onde seguiu para Java e, então, de volta à Europa. Reencontrando com sua família, ela se reconciliou com Nikifor, com quem adotou uma criança, Yuri, que faleceu aos 5 anos de idade. Em 1864, ela sofreu um acidente de cavalo, ficando em coma por vários meses com uma fratura na espinha. Ao acordar, tinha adquirido pleno controle de seus poderes paranormais.

De Tiflis, ela viajou para a Itália, a Transilvânia e a Sérvia, onde estudou com um cabalista. Tendo recebido uma mensagem de Morya, encontrou-se com ele em Constantinopla, de onde foram para o Tibet através da Turquia, da Pérsia, do Afeganistão e da Índia. Lá, eles ficaram hospedados na casa do Mestre Kut Humi, onde ele ensinava o budismo tibetano da escola Gelugpa.

Ali, ela teria aprendido uma antiga língua desconhecida, Senzar, traduzindo uma série de manuscritos dos monges da região. Após aprender mais sobre seus poderes com os Mestres, ela voltou ao mundo ocidental com a missão de comprovar que os fenômenos espíritas eram reais. Morya, então, a instruiu a partir para os EUA.

Em New York, Blavatsky se mudou para uma cooperativa de mulheres, onde costurava e fazia panfletos de propaganda. Pouco tempo depois, o agora coronel Pyotr faleceu e Helena herdou uma fortuna considerável. Intrigada por uma notícia de irmãos que diziam levitar em Vermont, ela visitou o local em 1874, onde conheceu o repórter Henry Steel Olcott, com quem firmou amizade. Instruindo-o em suas crenças ocultistas, Olcott tornou-se celibatário, abstêmio e vegetariano.

Blavatsky e Olcott publicaram uma circular no The Spiritual Scientist, onde se declaravam a “Fraternidade de Luxor”. Encorajados pelos Mestres, os dois estabeleceram o Miracle Club, no qual abrigaram palestras sobre temas esotéricos em New York. Através deste grupo, conheceram William Quan Judge, um espiritualista irlandês com o qual decidiram estabelecer a Sociedade Teosófica, em 1875, com os objetivos de formar um núcleo da Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor; encorajar o estudo da religião comparada, da filosofia e da ciência; e investigar as leis inexplicadas da Natureza e os poderes latentes do homem.

Nesse mesmo ano, Blavatsky trabalhou, com o auxílio de uma segunda consciência que habitava seu corpo e a inspirava, na obra Isis Desvelada,[1] onde apresentou a teoria de que todas as religiões e tradições descendiam de uma única “Sabedoria Ancestral”, mãe do hermetismo e do neoplatonismo. Isis Desvelada possui trechos de mais de 100 livros diferentes sem a citação das fontes, embora Olcott tenha afirmado que ela não tinha acesso aos tais livros durante a escrita, o que posteriormente gerou a hipótese de que Madame Blavatsky possuísse memória eidética, juntando todo o conhecimento acumulado em suas viagens e nas leituras da biblioteca de seu bisavô.

Infeliz com a vida nos EUA, Blavatsky se mudou com Olcott para a Índia, onde estabeleceu a Sede Internacional da Sociedade Teosófica, primeiro em Bombaim e depois em Adyar. Sob suspeitas de ser uma espiã russa, as atividades de Blavatsky no país eram monitoradas pelas autoridades britânicas.

Em julho de 1879, Blavatsky e Olcott começaram a publicar uma revista mensal chamada de The Theosophist, obtendo ampla circulação. Em dezembro desse ano, eles visitaram o editor de The Pioneer, o espiritualista Alfred Percy Sinnett. Convidada a passar mais tempo com Sinnett, que desejava muito entrar em contato com os Mestres, Blavatsky facilitou a produção de mais de 1.400 páginas teoricamente escritas por Kut Humi e Morya, as chamadas Cartas dos Mahatmas. Sinnett resumiu seus ensinamentos em um livro de 1883, Budismo Esotérico, nome com o qual a própria Blavatsky discordava por não se tratar de material budista.

Diagnosticada com a doença de Bright, isto é, inflamação renal crônica, Blavatsky mudou-se primeiro para o ramo de Madras da Sociedade e, em dezembro de 1882, para Adyar. Nesta época, ela viajou pelo país, visitando o ashram de seu mestre, Morya, no Tibet. Em março de 1883, ela passou algum tempo em Nice e em Paris com a fundadora do ramo francês da Sociedade Teosófica, a Condessa de Caithness.

Da França, seguiu para a Inglaterra, onde ela fez contato com a Society for Psychical Research – SPR através de Frederic W. H. Myers e concordou em ter seus poderes psíquicos avaliados. Blavatsky não se impressionou com a qualidade dos trabalhos da SPR, chamando-a de “Sociedade de Pesquisa Fantasmagórica”. Em 1885, com a piora de sua saúde, sofrendo com úlceras, reumatismo, hidropisia, sangramentos e a já conhecida inflamação nos rins, Blavatsky decidiu mudar-se permanentemente para a Europa. A esta altura, a Sociedade Teosófica contava com 121 Lojas, das quais 106 se localizavam na Índia, em Burma e no Ceilão.

Em dezembro de 1885, a SPR publicou o relatório de Richard Hodgson, que afirmava que Blavatsky era uma das mais bem-sucedidas, engenhosas e interessantes impostoras da história, acusando-a de ser uma espiã do governo russo, utilizando como base as acusações do casal Coulomb. O relatório causou enorme tensão dentro da Sociedade Teosófica, provocando a saída de vários membros importantes, como Subba Row. Blavatsky quis se defender, mas o Conselho de Controle, apoiado por Olcott, exigiu que ela se mantivesse em silêncio, para não atrair mais publicidade negativa. Por décadas, a metodologia utilizada por Hodgson foi questionada pelos teósofos, eventualmente sendo revelado que arquivos internos da SPR, escritos por Frederic Myers, consideravam que o relatório havia sido enviesado desde o princípio para a condenação de Blavatsky, sem seguir o devido procedimento científico. Em 1986, a SPR admitiu que este era o caso e retratou a conclusão do relatório, embora tenha lembrado que muitas das questões apontadas por Hodgson permaneciam em aberto.

Em 1886, já confinada à sua cadeira de rodas, Blavatsky mudou-se para Ostend, na Bélgica, onde recebia visitas de teósofos de toda a Europa. Nesta época, caiu fatalmente enferma e recebeu a visita de Mestre Morya, que ofereceu a escolha entre morrer e se livrar dos tormentos físicos, ou viver com muito sofrimento e terminar seu trabalho. Blavatsky escolheu a segunda opção e se recuperou da enfermidade.

Em Londres, ela estabeleceu a Loja Blavatsky, atraindo boa parte dos membros da Loja de Sinnett. As reuniões ocorriam semanalmente, nas noites de quinta-feira, recebendo a visita de muitas pessoas, inclusive o poeta W. B. Yeats e o jovem advogado Mohandas Gandhi. Em 1888, Blavatsky estabeleceu a Seção Esotérica da Sociedade Teosófica, um grupo sob seu completo controle cuja admissão era restrita àqueles que passassem em certos testes.

Na casa de Besant, Blavatsky escreveu A Chave para a Teosofia e, logo em seguida, A Voz do Silêncio, que teria sido baseado em um texto senzar chamado de Livro dos Preceitos de Ouro. Em 1890, ela começou a publicar a revista teosófica Lucifer, na qual publicou As Raízes da Ritualística na Igreja e na Maçonaria e concluiu A Doutrina Secreta. Neste tratado, Blavatsky expunha sua cosmogonia e antropogênese.

No inverno do começo de 1891, a Grã-Bretanha passou por uma epidemia de influenza. Blavatsky contraiu o vírus e faleceu na tarde de 8 de maio de 1891, na casa de Annie Besant, aos 59 anos. Três dias depois, seu corpo foi cremado em uma cerimônia restrita aos oficiais da Loja Blavatsky e alguns amigos seletos, de acordo com os desejos fúnebres de Helena Blavatsky.

Preferindo ser chamada pelo acrônimo HPB, Blavatsky era uma mulher baixa de olhos cerúleos que, no final da vida, usava muitos mantos e aneis em seus dedos. Fumante por toda a sua vida, Blavatsky evitava eventos sociais e tinha verdadeiro desprezo pelas convenções e códigos morais de sua época. De acordo com um de seus biógrafos, “Blavatsky falava incessantemente em voz gutural, sendo indiferente ao sexo, porém franca sobre o assunto. Ela preferia os animais às pessoas, era cordial, despretensiosa, escandalosa, caprichosa e barulhenta, bem-humorada, vulgar, impulsiva e não dava a mínima para coisa ou pessoa alguma”.

Esta personalidade explosiva era parte do que atraía tanta atenção para Blavatsky, mas levou a uma sequência de desentendimentos por toda a sua vida, inclusive com Olcott, que era reservado e avesso a polêmicas. Eventualmente, os dois encontraram uma forma de funcionarem juntos, mais afastados e realizando tarefas independentemente um do outro.

Annie Besant, presente na época da escrita de A Voz do Silêncio, descreve como Blavatsky “escrevia rapidamente, hora após hora, como se estivesse copiando um livro de memória ou à sua frente, embora ela não consultasse material algum”.

Principais obras de H. P. Blavatsky:
Ísis Desvelada [1877]
Pelas Grutas e Selvas do Hindustão [1883]
O Programa Original da Sociedade Teosófica [1886]
Sonhos [1888]
A Doutrina Secreta [1888 e 1889]
A Chave para a Teosofia [1889]
A Voz do Silêncio [1889]
Gemas do Oriente [1890]
De H. P. Blavatsky para as Convenções Americanas [1888 a 1891]
Instruções Esotéricas [1888 a 1891]
Comunicações da Loja Blavatsky [1890 e 1891]
Ensinamentos do Grupo Interno de H. P. Blavatsky [1890 e 1891]
Lendas do Pesadelo [1892]
Cinco Anos de Teosofia [1892] (editado por G. R. S. Mead)
Glossário Teosófico [1892] (editado por G. R. S. Mead)

[1] N.E.: Embora este livro, Isis Unveiled, tenha sido publicado no Brasil como “Ísis sem Véu”, o termo “desvelada” ressalta a intenção de Blavatsky de levantar o véu que recobre Ísis e revelar seus mistérios.

  • Compartilhe em:
  • /
  • /
  • /
© 2020 Arcanum Editora