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A hierarquia do Inferno, segundo Wierus

A hierarquia do Inferno, segundo Wierus

Quando Arthur Edward Waite escreveu As Ciências Ocultas, seu objetivo declarado era fazer um apanhado do que se conhecia sobre diversas disciplinas. Assim, os iniciantes poderiam ter uma noção geral do que fazer e do que estudar. Para isso, Waite revisitou diversos livros antigos, dos séculos XIV, XV, XVI, XVII, XVIII e XIX, incluindo manuscritos e edições raras.

A quarta seção de sua Parte I se chama “Magia Negra: a Evocação de Demônios”. Waite explica que os demonologistas medievais raciocinaram que, assim como os anjos e os espíritos superiores se organizam hierarquicamente, os diabos e demônios teriam um governo similar. Uma espécie de espelho retorcido, certamente muito burocrático e tirânico.

Para exemplificar, temos a oportunidade de conhecer o que Jean Wierus, discípulo de Cornelius Agrippa, escreveu sobre a hierarquia do Inferno e descobrir, por exemplo, que Satã, a serpente genuína, havia perdido o trono do Infernus e que Beelzebub assumiu seu posto. A estrutura completa, disponível em Pseudomonarchia Demonorum, obra em latim do século XVI, seria esta:

Príncipes e Grandes Dignitários

BEELZEBUB, supremo chefe da Corte e do Império Infernal, Fundador da Ordem da Mosca.
SATÃ, Líder da Oposição.
EURONYMUS, Príncipe da Morte, Grã Cruz da Ordem da Mosca.
MOLOCH, Lorde da Terra das Lágrimas, Grã Cruz da Ordem.
PLUTÃO, Lorde do Fogo.
LEONARD, Grão Mestre do Sabá, Cavaleiro da Mosca.
BAALBERITH, Mestre das Alianças.
PROSERPINA, Arquidiaba, soberana princesa dos espíritos perversos.

Ministros

ADRAMALECK, Lorde Alto Chanceler, Grã Cruz da Ordem da Mosca.
ASTAROTH, Lorde Alto Tesoureiro.
NERGAL, Chefe da Polícia Secreta.
BAAL, Comandante-em-chefe dos exércitos infernais, Grã Cruz da Ordem da Mosca.
LEVIATÃ, Lorde Alto Almirante, Cavaleiro da Mosca.

Embaixadores

BELPHEGOR, Embaixador na França.
MAMMON, Embaixador na Inglaterra.
BELIAL, Embaixador na Turquia.
RIMMON, Embaixador na Rússia.
THAMUZ, Embaixador na Espanha.
HUTGIN, Embaixador na Itália.
MARTINET, Embaixador na Suiça.

Juiz

LÚCIFER, Lorde Juiz-Presidente.

ALASTOR, Comissionário de Obras Públicas.

Casa Real

VERDELET, Mestre de Cerimônias.
SUCCOR-BENOTH, Chefe dos Eunucos.
CHAMOS, Grande Camareiro, Cavaleiro da Mosca.
MELCHOM, Pagador.
MISROCH, Mordomo-chefe.
DAGON,
MULLIN, Primeiro Valet de Chambre.

Mestres dos Festins

KOBAL, Diretor de Palco.
ASMODEUS, Superintendente das Casas de Entretenimento.
NYBBAS,
ANTICRISTO, Malabarista e Necromante.

Outro autor, Alexis-Vincent Charles Berbiguier de Terre-Neuve du Thym, escrevendo no início do século XIX em seu Les Farfadets or all Demons are not of the Other World, afirmou que a Corte do Inferno tinha emissários e representantes humanos nas grandes cidades, chegando a dar o nome de pessoas que ocupariam vicereinados da perdição eterna.

O próprio Waite se encarrega, contudo, de fazer uma consideração crítica:

As hipóteses e as tabelas formais dos grão-mestres de demonologia medieval, de Agrippa e Wierus, de Bodin, Delancre e Delrio, têm pouco valor exceto do ponto de vista arqueológico e como curiosidades inauditas, quer dizer, elas não possuem mérito próprio e, sendo extensões doutrinárias de supostos fatos, não podem ser consistentemente ressuscitadas junto com o misticismo restabelecido, que se ocupa somente de fatos, não de explicações fantásticas.

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