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A origem da Grande Loja Unida da Inglaterra – GLUI

A origem da Grande Loja Unida da Inglaterra – GLUI

A Francomaçonaria moderna foi criada em 1717, quando as quatro Lojas antigas de Londres se reuniram e decidiram criar a Grande Loja, que determinaria o padrão para as cerimônias maçônicas e resolveria as dissensões internas da fraternidade. Alguns escritores afirmam que existiram Grandes Lojas antes dessa data – cita-se a Assembleia de York, por exemplo, ou os maçons canteiros da Alemanha. No entanto, não existe prova para essas afirmações e a Grande Loja de Londres permanece celebrada como a “Grande Loja Original”.

É importante observar que isso não significa que não existiam Lojas maçônicas fora dos domínios da Grande Loja! Pelo contrário, temos evidências de reuniões maçônicas desde os séculos XIII e XIV e registros de Lojas maçônicas que remontam ao final do século XVI, mais de 100 anos anteriores à reunião de 1717. Lojas na Escócia, na Irlanda e na própria Inglaterra receberam a notícia da fundação da Grande Loja de Londres e seguiram seus trabalhos, talvez sem perceber quão profundamente esse evento mudaria a Maçonaria.

No entanto, a Grande Loja de Londres não mais existe. Sua sucessora, a Grande Loja Unida da Inglaterra, foi fundada somente em 1813. Portanto, apesar de celebrarmos em 2017 os 300 anos da Maçonaria moderna, a GLUI deve aguarda ainda outros 96 anos para comemorar seu tricentenário! Por que aquela Grande Loja fundada em Londres foi substituída por este organismo mais recente? Como a GLUI aconteceu?

A Grande Loja de Londres tinha como limite de atuação um raio de 10 milhas a partir do centro da cidade de Londres. Ela reconhecia que o Norte da Inglaterra ficava, por direito, sob a influência das Lojas dos Maçons de York, cidade considerada o berço da Maçonaria na Inglaterra – como pode ser lido na História escrita por William Preston, ao final do século XVIII.

Contudo, o sucesso da Grande Loja, que emitiu cartas constitutivas para mais de 100 Lojas em sua primeira década de existência, inclusive em diversos países que eram colônias ou aliados da Inglaterra, ativaram a ambição dos Maçons londrinos. O nome de sua organização passou a ser Grande Loja da Inglaterra e cartas constitutivas foram emitidas para cidades ao redor de York, inclusive para uma Loja na própria cidade de York.

Em 1730, foi publicado o primeiro livro divulgando segredos maçônicos – Masonry Dissected, de Samuel Prichard. Ele revela detalhes sobre as perguntas feitas para reconhecer um Maçom e as respostas que deveriam ser dadas. Mais que isso, Masonry Dissected explicava sinais necessários para obter o auxílio financeiro que os Maçons prestavam a seus Irmãos.

Ante essa contravenção do sigilo, a Grande Loja da Inglaterra decidiu modificar o que foi divulgado, para evitar a intrusão de não-Iniciados. Essa ação revoltou os Maçons mais antigos, já que modificava os ensinamentos passados há séculos pelas Lojas antes do advento da Grande Loja. Vários desses Maçons e algumas Loja se desligaram da Grande Loja e passaram a atuar de modo independente.

Cerca de 20 anos mais tarde, em 1751, essas Lojas independentes reuniram-se a Lojas formadas por imigrantes irlandeses, Maçons que haviam sido Iniciados na Irlanda e que encontraram dificuldades para serem reconhecidos nas Lojas inglesas. Fundava-se, assim, a Grande Loja dos Maçons segundo os Antigos Costumes. Seus membros se autoproclamaram os “Antigos”, em contraste com a Grande Loja da Inglaterra, que chamavam de “Modernos”, apesar de ter sido fundada quase 35 anos antes.

Os “Antigos”, por sua origem, obtiveram o reconhecimento da Grande Loja da Irlanda – constituída em 1725, em Dublin, segundo o modelo da Grande Loja de Londres, mas mantendo os costumes das Lojas irlandesas ancestrais. Também conquistaram o reconhecimento da Grande Loja da Escócia, por sua prática próxima à dos maçons escoceses e porque durante metade de sua existência, 31 anos, a Grande Loja segundo os Antigos Costumes foi governada pelos Duques de Atholl, nobres escoceses.

A Grande Loja da Inglaterra, os “Modernos”, amargava o isolamento nas ilhas britânicas, mas tinha supremacia no resto do mundo. Exceto pelas Lojas militares, invenção bem-sucedida dos irlandeses, a vasta maioria das Lojas na Europa, na Ásia, na África e nas Américas fora constituída pela Grande Loja da Inglaterra. As Grandes Lojas que foram surgindo também pediam o reconhecimento mútuo da Grande Loja Original.

A animosidade era alimentada dos dois lados. Laurence Dermott, o Grande Secretário da Grande Loja segundo os Antigos Costumes, escreveu seu Ahiman Rezon, onde condenava as modificações feitas pela Grande Loja da Inglaterra de forma incisiva. A Grande Loja da Inglaterra, por sua vez, atuava diplomaticamente para negar o reconhecimento da Grande Loja dos Maçons segundo os Antigos Costumes, impedindo a correspondência fraternal com os Irmãos de outros países.

Foram necessários 62 anos para sarar essa ferida. Dermott faleceu. Os “Antigos”, os “Modernos” e as Grandes Lojas da Escócia e da Irlanda tiveram que atuar em conjunto, no final do século XVIII, para impedir que o Parlamento banisse as reuniões maçônicas, por medo de que os Maçons ingleses absorvessem as ideias dos Maçons franceses e promovessem uma Revolução contra a Monarquia, como nos conta Preston.

Em 1809, a Grande Loja da Inglaterra constituiu a “Lodge of Promulgation”, cujo objetivo era reverter as mudanças da década de 1730 e trazer o Ritual para a direção daquele utilizado pela Grande Loja dos Maçons segundo os Antigos Costumes. Em 1813, o Duque de Atholl cedeu seu lugar à frente dos “Antigos” ao Príncipe Edward Augustus, Duque de Kent, quinto filho do rei George III e pai da futura rainha Victoria. Entre os “Modernos”, o Conde de Moira renunciou a seu cargo como Grão Mestre em Exercício por ter sido nomeado Governador Geral da Índia, sendo sucedido pelo Príncipe Augustus Frederick, duque de Sussex, nono filho do rei George III.

Pouco depois, o então Grão Mestre dos “Modernos”, o Príncipe de Gales, George Augustus Frederick, filho mais velho do rei George III, deixou o cargo para poder se dedicar à regência do reino – os episódios de insanidade do rei George III agora eram frequentes demais para que o governo ficasse em suas mãos. Seu irmão mais novo, o duque de Sussex passou de Grão Mestre em Exercício para Grão Mestre de fato.

Deste modo, sob os dois príncipes reais, os duques de Kent e de Sussex, as Grandes Lojas rivais finalmente alcançaram a união. Como nos explica Robert Gould, em 27 de dezembro de 1813, dia de São João Evangelista, fundiram-se os “Antigos” e suas 359 com os “Modernos” e suas 640 Lojas. Foram estabelecidos 21 “artigos de União”, incluindo o Artigo II, definindo que “‘a pura Maçonaria Ancestral consiste de três graus, e nenhum a mais, a saber, aqueles de Aprendiz Iniciado, Companheiro de Ofício e Mestre Maçom, incluindo a Suprema Ordem do Real Arco Sagrado.[1] Porém, não é o objetivo deste Artigo impedir qualquer Loja ou Capítulo de realizar uma reunião de qualquer grau das Ordens de cavalaria, de acordo com as constituições das mencionadas Ordens.’”[2]

As notas, inclusive, são originais de Gould em As Quatro Lojas Antigas e permitem compreender a profundidade com que este pesquisador analisou e documentou a história da Maçonaria moderna.

Em sua Encyclopedia of Freemasonry, Albert Mackey informa que a Grande Loja Unida da Inglaterra adotou a ritualística dos “Antigos” e a estrutura dos “Modernos” – incluindo, aí, a retirada do poder de decisão da Assembleia de Mestres e Vigilantes reunidos, transferindo a capacidade de decisão para os Grandes Oficiais.

O processo de unificação continuou ainda por alguns anos. A Lodge of Reconciliation, na verdade composta por duas Lojas, uma de cada parte, acertou os detalhes do Ritual a ser utilizado em comum por todos os Maçons da Inglaterra. Seu trabalho por espalhado pela Stability Lodge of Instruction [1817], origem do Ritual Stability, e mais desenvolvido pela Emulation Lodge of Improvement [1823], origem do Ritual de Emulação, que é a versão-padrão do Rito Inglês Moderno.

[1] Este grau, de acordo com as melhores autoridades, foi introduzido por volta de 1736-44; Masonic Reprints, Hughan, p. 53; History of the Royal Arch, Oliver, p. 38; Laurie, p. 429; Findel, p. 183; Lyon, pp. 290-91. A mais antiga alusão ainda existente ao grau do Real Arco está contida no Serious Enquiry do Dr. Dassigny, 1744, reimpresso no Masonic Memorials (Hughan). Na sua introdução neste país, ele foi praticado com alguns outros graus menores, nos Acampamentos Templários, não por conta de uma ligação pré-existente, mas porque estes eram os únicos locais onde ele poderia se associar, pois as Lojas de Ofício mais antigas jamais reconheceram o grau. Laurie, p. 425. Ver Mas. Mem., pp. 5-7, e §§ 26 (VII.) e 29 (IV.).

[2] A importância desta última frase só pode ser medida imaginando a impressão que ela criaria caso fosse reproduzida no Livro das Constituições de hoje em dia.

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