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As primeiras Lojas Maçônicas

Em 24 de junho de 1717, a Grande Loja de Londres foi constituída por quatro Lojas antigas, que se reuniam na Cervejaria Ganso e Grelha, na Cervejaria Coroa, na Taverna Macieira e na Taverna Copázio e Uvas. Gould menciona, apoiado no Livro das Constituições de 1788, que uma reunião havia sido realizada na Taverna Macieira ainda em 1716, com o fim de planejar essa fundação.

Seriam essas “quatro Lojas antigas” as mais antigas existentes? Quão antigas exatamente elas eram, de onde surgiram e qual era a diferença entre elas e as Lojas pós-1717?

A Lista de Pine de 1729 indica que a Loja nº 1 teria sido constituída em 1691 e a Loja nº 2, em 1712. Em Natural History of Wiltshire, de Aubrey, uma obra escrita entre 1656 e 1691, aparece um relato sobre uma reunião realizada em 18 de maio de 1691, na Igreja de São Paulo, “da fraternidade dos Maçons adotados”.

Gould afirma que a Loja nº 4 provavelmente foi estabelecida entre 1712 e 1717. A Loja nº 3, que era na realidade a segunda nas listas gravadas até 1725 ou 1728, pode ou não ter sido estabelecida depois da nº 2, uma questão hoje impossível de esclarecer.

Temos, assim, que a mais antiga das quatro Lojas “antigas” da Inglaterra é de maio de 1691. Essa é a primeira Loja maçônica que foi criada, então? Não, muito longe disso! Estamos falando somente da mais antiga Loja inglesa que ainda existe.

As Lojas dos Maçons operativos se reuniam nos locais de grandes obras [a exemplo da Loja nº 1, que funcionava na Igreja de São Paulo por conta da reconstrução dessa catedral que foi realizada após o Grande Incêndio de 1666]. Quando a obra terminava, as Lojas se desfaziam. Eram as Lojas “ocasionais”. Lojas “fixas” eram muito raras porque dificilmente um grupo grande de Maçons ficaria estacionado no mesmo lugar para manter reuniões frequentes.

Dessas Lojas “ocasionais”, pouco temos registros. Podemos dizer que elas provavelmente foram criadas em praticamentes todas as obras de renome da Idade Média – catedrais, castelos, edifícios públicos, palácios, pontes, enfim, todo empreendimento que reunisse os trabalhadores da pedra. Onde existiam guildas de Maçons – e elas existiam por toda a Europa – essas Lojas foram formadas e dissolvidas.

Seu funcionamento não dependia da autorização de uma Grande Loja – ideia que só foi desenvolvida em 1717! A autoridade estava investida nos próprios Maçons. Eles se reuniam e se decidissem formar ali uma Loja, estava formada. Se decidissem Iniciar alguém, e passassem os segredos, essa pessoa tornava-se Maçom, em virtude da transmissão iniciática.

Esta, inclusive, é a diferença primordial entre as “Lojas antigas” e as recentes [pós-1717], as Lojas constituídas, que levam este nome porque receberam uma Carta Constitutiva da Grande Loja, autorizando seu funcionamento. As “Lojas antigas” funcionavam por direito de “tempos imemoriais”. Sua autonomia era tão grande que, em 1721, quando foi assinado o tratado que confirmava as Constituições, as quatro Lojas antigas assinaram de uma parte e o Grão Mestre, junto com os Mestres e Vigilantes das dezesseis Lojas constituídas entre 1717 e 1721, assinaram de outra.

Estabelecida essa diferença entre as Lojas “novas” [algumas com quase 300 anos agora!] e as Lojas “antigas”, resta perguntar se existiam Lojas mais antigas ainda, em outras partes? Gould nos confirma que sim, sem dúvidas! Basta olharmos para a Escócia. Vale a pena citarmos o § 35 de As Quatro Lojas Antigas [todas as notas sendo pertencentes ao livro]:

As atas da Loja de Edimburgo (St. Mary’s Chapel) vão até o século XVI, a primeira entrada registrada aparecendo sob a data de 28 de dezembro de 1598.[1] Os Registros de Atcheson’s Haven, no aspecto de antiguidade, aparecem logo em seguida aos de St. Mary’s Chapel (26 de outubro de 1636).[2] As atas mais antigas da Mother Kilwinning datam apenas de 20 de dezembro de 1642, embora tanto a Loja de Edimburgo quanto a Loja de Kilwinning sejam mencionadas nos Estatutos Suplementares promulgados pelo Vigilante dos Maçons em dezembro de 1599.[3] A Loja de Glasgow é mencionada no livro de atas mais antigo da Corporação dos Maçons, sob a data de 22 de setembro de 1620.[4] A Loja de Aberdeen diz ter sido instituída em 1541, mas não possui registros anteriores a 1670.[5] As atas da Loja Dunblane St. John[6] vêm desde janeiro de 1696.[7]

[1] F. Q. Rev. (1889), p. 45; Lyon, p. 6.

[2] Lyon, pp. 87, 407.

[3] Ibid. pp. 243, 408.

[4] Ibid, p. 412.

[5] Ibid, p. 419.

[6] N.T.: São João de Dunblane.

[7] Lyon, p. 414.

A Loja St. Mary’s Chapel está prestes a completar 420 anos de atividade ininterrupta! Mesmo ela, contudo, talvez não seja a Loja mais antiga. Passemos ao § 36 de As Quatro Lojas Antigas [notas, novamente, pertencentes ao livro]:

Em 1737, a Grande Loja da Escócia resolveu[1] que todas as Lojas deveriam ser listadas de acordo com sua senioridade, a qual seria determinada através de documentos autênticos que apresentassem. Aquelas que nada apresentassem seriam colocadas no final do rol.

Em 30 de novembro de 1743,[2] leu-se uma carta da Loja de Kilwinning, reclamando que eram somente os segundos no rol, enquanto, como a Loja-mãe da Escócia, teriam direito ao primeiro lugar. A Grande Loja decretou que como a Loja de Kilwinning não apresentou documentos para comprovar que era a Loja mais antiga na Escócia, enquanto a Loja de St. Mary’s Chapel havia mostrado seus registros remontando até 1598, esta última tinha o direito inquestionável de continuar em primeiro no rol.[3]

Como consequência dessa decisão, Mother Kilwinning, embora houvesse sido parte anuente na formação da nova Grande Loja, retirou-se dela em 1743 e, reafirmando sua independência, continuou a exercer todas as funções de uma Grande Loja, até que, em 1807, realizou-se uma reconciliação entre ela e a atual Grande Loja da Escócia.

Concedeu-se que a Mother Kilwinning deveria ser colocada no topo do rol da Grande Loja.

[1] Laurie, p. 101.

[2] Laurie, p. 106.

[3] Sabia-se e admitia-se universalmente que Kilwinning era o local de nascimento da Maçonaria Escocesa. Porém, como os registros da Loja original estavam perdidos, a Loja atual em Kilwinning não conseguia comprovar que ela era a mesma Loja que foi a primeira a praticar a Francomaçonaria na Escócia. Laurie, p. 101. O Irm. D. M. Lyon diz: “É provável que a formação das primeiras Lojas escocesas tenha ocorrido quase simultaneamente, pois onde quer que um grupo de maçons medievais estivessem empregados, havia também os elementos para constituir uma Loja. As pretensões de prioridade de existência da Loja de Kilwinning, baseadas como são na história que torna coevas a instituição da Loja e a construção da Abadia de Kilwinning (1140), são enfraquecidas pelo fato de que a Abadia em questão não foi nem a primeira nem a segunda estrutura gótica a ser erguida na Escócia. Além disso, uma inspeção minuciosa de suas ruínas comprovou que sua construção foi datada erroneamente cerca de oitenta ou noventa anos da data real.” Hist. of the Lodge of Edinburgh, 1873, p. 242. O Irm. Findel comenta sobre a lenda germânica: “De acordo com uma antiga tradição, os ofícios manuais foram criados por uma Irmandade na Catedral de Magdeburg, um evento ao qual a data de 876 é geral fixada, sem corroboração, visto que a construção não se iniciou até 1211!” p. 58; ver Nota 198; e § 22 (III).

A Loja de Kilwinning é, assim, geralmente apontada como a mais antiga Loja maçônica do mundo. Depois da reconciliação com a Grande Loja da Escócia, recebeu o nº 0 e o título de Loja-Mãe. Apesar de D. M. Lyon questionar sua pretensa fundação em 1140, é possível que ela estivesse em operação ainda no século XIII, mesmo que os registros tenham se perdido em incêndios. [Catástrofe que eliminou não apenas os documentos dessa Loja, mas muitos outros manuscritos antigos da Fraternidade.]

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