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O Altar na Igreja e na Maçonaria

O Altar na Igreja e na Maçonaria

Como eram as igrejas dos cristãos primitivos, antes que Constantinus transformasse o Cristianismo em religião estatal? Como os primeiros cristãos, os primeiros discípulos de Jesus e dos apóstolos, celebravam sua fé? Temos igrejas dessa época, dos séculos I, II e III da nossa era?

Até o ano 250, os seguidores de Cristo abominavam templos. Conforme Blavatsky mostra em As Raízes da Ritualística na Igreja e na Maçonaria, através de uma citação do cristão primitivo Marcus Minucius Felix:

Vocês julgam que nós (cristãos) escondemos o que adoramos porque nós não aceitamos nem templos nem altares? Mas que imagem de Deus deveremos erguer, dado que o Homem é ele próprio a imagem de Deus? Que templo poderemos construir para a Divindade, quando o Universo, que é a obra d’Ele, mal pode contê-Lo? Como podemos entronizar o poder de tal Onipotência em um único prédio? Não é bem melhor consagrar à Divindade um templo em nosso coração e espírito?

É uma posição dura e firme, parecida com a visão atual protestante contra as imagens de santos [embora as igrejas não sejam questionadas da mesma forma]. Como atestam os Atos dos Apóstolos e as epístolas do Novo Testamento, os cristãos se reuniam nas casas uns dos outros, para repartir o pão e ler a Palavra Sagrada.

Esses Chrestãos preocupavam-se com a lição de não orar nas sinagogas e nos templos como os hipócritas, que querem “ser vistos pelo homem” (Evangelho segundo São Matheus 6:5). Lembravam-se das orientações do “Mestre-Construtor” Paulo, de que o homem é o único templo de Deus, no qual o Espírito Santo de Deus habita.

Aos poucos, as reuniões das congregações [ekklesía em grego] acabaram ocorrendo sempre na mesma casa, que começou a ter um espaço reservado apenas para os encontros. Quando Constantinus publicou seu édito, logo construções dedicadas unicamente para a reunião dos cristãos surgiram nos principais centros romanos.

Esses edifícios, que receberam o nome de igrejas porque abrigavam as congregações, seguiam a direção leste-oeste, isto é, sua entrada principal ficava voltada para o leste e o local de celebração da missa ficava no oeste do edifício. Deste modo, na hora de repartir o pão e o vinho, o celebrante, de frente para a congregação, estava olhando para o leste. Em algumas igrejas, a congregação inteira se voltava para o leste no momento principal da missa – isto é, todos ficavam voltados para a porta, para a direção onde o Sol nascia.

Entre os séculos IV e VI, a orientação inverteu-se completamente. A entrada principal passou para o oeste e o local de celebração, para a parede leste do edifício. É esta também a orientação simbólica dos locais de reunião dos Maçons: o Venerável Mestre senta-se junto à parede leste, enquanto a entrada se dá pela parede oeste.

Foi nesta época que os cristãos adotaram os altares usados pelos pagãos em suas cerimônias religiosas. Até o século V, o que existia era uma mesa elevada no centro da igreja, onde era realizada a coena, a Comunhão de repastos fraternais, o pão e o vinho divididos entre os membros da comunidade. Blavatsky, apoiada em Ragon, defende que essa mesa chegou até os Maçons como aquela utilizada em suas Lojas de Mesa, banquetes festivos realizados em ocasiões especiais, como o Dia de São João.

Cerca de 100 anos após adotarem as reuniões em templo, os cristãos começaram a construir altares parecidos com aqueles que podiam ser encontrados nos locais de adoração dos pagãos. Eram inicialmente feitos de madeira, embora eventualmente passaram a ser somente em pedra. Sua localização era próxima à parede oriental, sobre o túmulo ou sobre as relíquias de um mártir ou santo.

O formato do altar era o de um “quadrado oblongo”, retangular, sobre o qual colocava-se as Escrituras Sagradas e as velas. Os manuais de construção de igrejas [que são extremamente detalhistas] lembram que devem existir degraus entre o chão e o altar, sempre em número ímpar, variando entre 3, 5 e 7 e rodeando o altar por três lados [pela frente, pela direita e pela esquerda].

Sobre o altar, deveria-se estender um dossel, apoiado em quatro colunas. Como estava localizado no leste, recomendava-se que o altar não fosse encostado na parede, de modo que o sacerdote pudesse ficar voltado para a congregação nos momentos apropriados [atrás do altar] e, na hora da consagração, pudesse se mover para a frente do altar, dando as costas para congregação e olhando para o leste.

Os altares laterais deveriam ficar nas alas, tendo apenas um degrau. Estes devem ser bem menores que o altar principal, podendo ser de madeira e tendo espaço apenas para as velas que serão utilizadas. Entre a porta de entrada e o altar principal, deve ser estendido um carpete largo, sem emblemas ou símbolos.

Enquanto isso, no Templo maçônico, o Altar do Venerável Mestre, que é sua mesa de trabalho, fica junto à parede oriental, sob um dossel. Os Vigilantes, seus auxiliares, sentam-se em altares laterais, que são menores que o principal. Em muitos Templos brasileiros, da porta de entrada ao Altar do Venrável Mestre há uma faixa de carpete, geralmente azul. Sobre esses três altares, velas que são usadas durante os trabalhos. Também lá estão os degraus prescritos. Vale lembrar ainda o momento da abertura do Livro da Lei, em que o Oficial responsável sai do seu lugar e fica voltado para o leste.

É por estas semelhanças e outras que alguns autores maçons e ocultistas dos séculos XVIII e XIX chegaram a afirmar que o Maçom realiza uma cerimônia sagrada, que possui as mesmas raízes que a missa praticada pelos padres católicos.

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