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O Ritual da Igreja Católica

O Ritual da Igreja Católica

Quando dá ao seu texto o título de As Raízes da Ritualística na Igreja e na Maçonaria, Madame Blavatsky indica que a liturgia praticada hoje pelos francomaçons e a liturgia desenvolvida pelos sacerdotes católicos possuem uma origem em comum, sendo ambas galhos da mesma árvore cujas raízes se encontram na época anterior a Cristo.

Por um lado, a Maçonaria não possui um livro sagrado próprio, uma Escritura que disponha seus princípios e detalhes ritualísticos. Somos obrigados a fazer a ressalva de alguns consideram que o Livro das Constituições, redigido pelo reverendo James Anderson [1679 – 1739] em 1724 e aprovado para publicação pela Grande Loja de Londres em 1725, seja exatamente esse marco referencial.

O Livro das Constituições de Anderson é, verdade seja dita, uma tentativa de resumir e harmonizar os diversos “manuscritos antigos” que as Lojas Maçônicas detinham e que versavam sobre a história da Maçonaria e as regras de comportamento para os maçons. Pensando neste sentido, é curioso observar que Anderson atuou como os revisores e editores anônimos do Pentateuco, que buscaram juntar os relatos dos Javistas, dos Eloistas, dos sacerdortes e do deuteronomista em um conjunto coeso, com graus variáveis de sucesso.

A Igreja, por outro lado, possui sua coletânea de Escrituras, conhecida como a Bíblia e contando com 66 livros segundo os protestantes, 73 livros segundo os católicos apostólicos romanos. Apesar disso, não encontramos em suas páginas muitas indicações que correspondam à extensa liturgia que é adotada pela Igreja Romana desde o século IV. Sim, existem menções a Eucaristia, ao batismo, a Pentecostes, a diáconos e algumas outras coisas, mas nada vemos ali sobre as igrejas com suas naves, altares, abóbodas, colunatas e estátuas. Também não vemos instruções sobre a água benta, os círios pascais, os ritos fúnebres, o calendário do Advento, a estrutura de padres, bispos, arcebispos, cardeais e papa. Em lugar algum localizaremos instruções sobre a estola dos sacerdotes, suas vestes talares, a repetição de orações [que não seja o Pai Nosso] ou os títulos de Jesus e de Nossa Senhora. De onde veio tudo isso?

Bem, essa é uma pergunta muito complicada. É quase como perguntar de onde vem toda a cultura humana ou todos os pequenos detalhes que compõem a sociedade em que habitamos. Embora vários grupos gostem de dizem que são originais, que tiveram uma revelação única, completamente nova, totalmente independente de tudo que existiu antes, a verdade é que existimos em uma continuidade e somos, sem dúvida alguma, produto do passado e prévia do futuro.

No mínimo, podemos garantir que o Cristianismo veio do Judaísmo. Afinal de contas, todas as grandes personalidades da Bíblia eram judeus praticantes. Os poucos cristãos que aparecem a partir dos Evangelhos e dos Atos dos Apóstolos eram praticamente todos judeus etnicamente – eram filhos e netos de judeus, cresceram com toda a cultura judaica e apenas eventualmente se converteram à nova vertente inspirada nos ensinamentos de Jesus.

Assim se explica a celebração da Páscoa, por exemplo, baseada no Pesah, a celebração hebraica em lembrança da libertação dos escravos no Egito. É importante observar que aqui estamos falando somente do aspecto cristão da Páscoa, aquele que é comemorado na Igreja. Os demais elementos – ovos, coelhos, chocolate – são símbolos de fertilidade que não são especificamente referendados pelo Cristianismo e, assim, não fazem parte do escopo deste artigo.

Podemos, então, dividir a origem da ritualística da Igreja em dois grupos: os elementos que vieram do Judaísmo e aqueles que vieram de outro lugar. Vamos deixar um pouco de lado qual seria esse outro lugar e nos concentrar na herança étnica de Jesus. Para adotarmos o estado mental correto, vamos inclusive deixar de lado esse nome latino que é uma adaptação do grego Iesous. Devemos chamá-lo pelo nome que lhe foi dado por seus pais, Yeshua.

Yeshua nasceu na região da Galileia, por volta do ano 4 a.C. – sim, Jesus nasceu antes do ano em que se acreditava que ele tinha nascido. Algumas pessoas acreditam até que ele seja baseado em um judeu que viveu por volta do ano 100 a.C. Não há consenso neste aspecto. Sua mãe era Mariam, uma jovem judia descendente do Rei David através de seu filho Natan. Seu pai era Yosef, um carpinteiro também descendente do Rei David, mas através de seu filho Rei Shlomo.

Assim, YosefMariam eram judeus tradicionais com distante parentesco com a casa real ungida por YHWH. À medida que Yeshua e seus irmãos [YoseYa’akov, YudahShemayon] cresciam, Yosef ensinava a seus filhos seu ofício e sua religião. Em seu ministério na Judeia, Yeshua fez constantes referências aos Livros da Lei judaica, utilizando-os como base para seus próprios ensinamentos.

Podemos ficar, dessa maneira, certos que o Cristianismo e a Igreja beberam do judaísmo como fonte, mas a pergunta que devemos fazer é: qual foi a fonte da qual os judeus retiraram seus elementos religiosos e litúrgicos? É verdade que a Bíblia afirma em diversos pontos que a religião fora uma revelação de YHWH, mas o caso é que o judaísmo possui muitos elementos em comum com outras manifestações religiosas de seu tempo.

Os judeus são semitas, os descendentes de Shem, um dos filhos de Noah. Os semitas eram os povos que habitavam o Levante, a Mesopotâmia, a Península Árabe e o Chifre da África e que deram origem não apenas aos hebreus, mas também [preparem-se para uma longa lista] aos acádios, amhiritas, amonitas, amoritas, árabes, arameus, argobbitas, beduínos, canaanitas, caldeus, dahlik, eblitas, edomitas, guragitas, fenícios, malteses, mandeus, mhalmitas, moabitas, nabateus, sumérios, ugaritas, entre vários outros grupos e subgrupos.

Todos esses povos compartilham crenças, rituais e lendas. Como falamos em Noah, tomemos o Dilúvio como exemplo. Ele aparece nas lendas dos caldeus, dos sumérios, dos habitantes de Ur, dos acádios, dos fenícios, dos moabitas, entre outros – com nomes diferentes, deuses diferentes, mas a mesma premissa.

Cada povo semita adorava uma divindade nacional diferente, mas compartilhavam certos títulos – El, Deus dos Exércitos, Deus da Montanha… Inclusive, as montanhas e os “lugares altos” eram os locais onde o povo se reunia com os sacerdotes para fazer cerimônias públicas e sacrifícios de touros e carneiros para a divindade. Os templos acádios e sumérios, em seu formato piramidal, refletem esse costume.

Mesmo o Templo do Rei Salomão traz diversos componentes comuns à cultura semita em geral. No final do século XIX, foram encontradas relíquias na ilha de Chipre, no Mar Mediterrâneo, de lavatórios similares ao Mar de Bronze. O candelabro de sete braços, menorah, tem ligação com os sete planetas da Antiguidade que eram reverenciados entre os sumérios, os acádios e os caldeus.

OK, tudo bem, o Cristianismo veio do judaísmo e este tinha várias características em comum com outras práticas regionais. Até aí, está tudo dentro do esperado. O problema é que, se você reparar, não mencionamos em momento algum a estrutura hierárquica e física da igreja, as vestimentas dos sacerdotes ou os termos ritualísticos utilizados na liturgia! Nada disso vem especificamente do judaísmo! Precisamos nos dedicar a entender os elementos que vieram de outro lugar: as religiões de mistérios do Mundo Antigo.

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